sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Entrevista com Wellington Lyra


Neste segundo semestre de 2014 uma turma do Colégio Estadual Maria Zulmira Tôrres fez um trabalho de artes entrevistando alguns artistas da cidade. Fui o entrevistado da turma CN3001, do curso técnico de professores. Quem fez a entrevista foi a aluna Francielle Agostinho. Segue o papo:
1) Nome: Wellington Lyra
2) Idade: 31 anos
3) Onde nasceu: Cachoeiras de Macacu
4) Onde encontramos seu trabalho? Artes visuais - pinturas urbanas espalhadas em diversos pontos da cidade (paredes, muros e postes), em bairros como o centro, Valério, Ribeira, Japuíba, Setenta, Campo do Prado, Ganguri, Boca do Mato. Literatura - poesias e crônicas no blog jesusgenerico.blogspot.com. Teatro de rua - também em diversos pontos da cidade. Vídeos - no canal "Wellington Lyra" no youtube, e no canal comunitário Desperta TV.
5) Como começou o gosto pela arte? Comecei ainda criança, em casa, desenhando. Depois na escola juntei desenho e modelagem (com massinha). Na adolescência comecei a escrever poesias para lidar com a timidez, e aos 18 anos comecei a fazer oficinas de teatro, que foi o grande ponto de virada na minha vida artística. Dali pra frente tudo na minha passou a girar em torno da arte e da cultura.
6) Alguém te incentivou? Meus pais sempre me incentivaram, principalmente na infância.Tem mãe que não deixa o filho livre para fazer seus rabiscos e desenhos, e isso acaba inibindo o espírito criador da criança pra vida toda. Meus pais sempre deixaram eu me expressar, e isso me permitiu desenvolver dentro das diversas artes. Também tive grandes professores que me incentivaram muito.
7) Para você o que é ser um artista? Ser artista é aprofundar-se na experiência humana. Um ser humano que não mergulha no universo das artes nunca saberá o que é ser humano por inteiro.
8) Nos fale um pouco sobre seu trabalho. Em todos os meus trabalhos, seja na pintura, na poesia, no teatro ou no vídeo, eu busco sempre integrar o fazer artístico a algum propósito social. Não consigo mais fazer arte apenas para entretenimento ou para o prazer estético; pra mim a arte precisa necessariamente ter uma função social, de preferência que colabore para provocar mudanças no lugar e na comunidade onde ela se fizer presente. Dessa forma, no campo da pintura, escolhi pintar não em quadros, mas em toda a cidade, em seus postes, muros e paredes. Assim eu posso transmitir mensagens a todos os moradores, de forma ampla. Da mesma forma, optei pelo Teatro de Rua ao invés do teatro de palco, pois no Teatro de Rua todos os tipos de pessoas estão juntas na plateia: o trabalhador, o morador de rua, a criança, o idoso; isso democratiza o acesso à cultura, pois todos podem ter acesso, e não apenas aqueles que tem dinheiro para pagar um ingresso num espaço cultural fechado. No campo do vídeo e do cinema, tenho feito algumas experiências em escolas atuando como facilitador para que as crianças produzam seus próprios filmes, e depois exibam na internet ou em espaços como o centro cultural e o festival MacacuCine. E na área da poesia e da crônica, tenho preferência em abordar temas da realidade de Cachoeiras de Macacu, sempre de maneira crítica ou pelo menos não-convencional. Ainda no campo da literatura, me considero um escritor de facebook, certamente meu principal canal de expressão literária e de diálogo com o público, onde falo diariamente sobre política, arte, filosofia, antropologia etc.
9) Você já recebeu criticas por causa de seu trabalho? Se sim, elas te incomodam? Acho que a maior crítica que já recebi foi feita por pessoas criticando os sacis que tenho pintado e repintado desde 2008 no viaduto do centro da cidade. Alguns diziam que "saci é coisa do diabo" e coisas assim. Eu acho engraçado, não me incomodam, na verdade acho que só reforçam a minha atuação porque é justamente para causar discussão na cidade que busco trabalhar alguns temas, como esse da cultura popular através dos sacis. Alguns religiosos ainda são muito preconceituosos com o que não faz parte da cultura deles, acho isso muito mesquinho, não tem nada a ver com os valores que os grandes mestres ensinaram.
10) Em que arte você se inspira? Na arte de viver. Nos movimentos de vanguarda. Nas múltiplas manifestações do divino e do espiritual. Sou muito ligado à espiritualidade em todas as suas diferentes formas de se manifestar. Na minha cabeça, Jesus, Buda, Krishna e Oxalá estão sentados juntos batendo papo. Acho essa multiplicidade cultural, religiosa, sexual, social, uma fonte incrível de inspiração para as artes. Por isso escolhi fazer Antropologia na faculdade, a gente estuda isso tudo.
11) Já pensou em abandonar tudo, por causa de algum contratempo? Já pensei em abandonar Cachoeiras algumas poucas vezes, por falta de apoio. Pensei em morar em cidades mais evoluídas no campo das artes como Recife, Olinda, mas depois reconsidero e resolvo ficar. Tem um lema que é o seguinte: "Ou você muda a cidade ou você se muda da cidade". Eu escolhi mudar a minha cidade.
12) Cite e comente 3 obras suas.
1. Painel "Sacizada" (centro, atrás da rodoviária) - Originalmente, pintei um grande Saci no viaduto em 2008, para comemorar o Dia Nacional do Saci (31 de outubro). Alguns anos mais tarde, em setembro de 2011, a prefeitura apagou a pintura. Meu amigo Alexandre Sonzeira e eu repintamos em novembro de 2011. Depois, em 2012, a prefeitura apagou de novo, juntamos mais gente, refizemos e ainda adicionamos mais uns cinco sacis. Apagados novamente, juntamos uma galera e fizemos treze. Em 2014, o painel sofreu algumas intervenções do coletivo Ding Lause e outros grafiteiros da cidade, reduzindo o número de sacis e incrementando a pintura de outros. Eu considero um trabalho muito emblemático, tanto por esse histórico de destruições e reconstruções, como pelo fato de estar situado no coração da cidade, mas principalmente por se tratar da valorização de uma figura do folclore brasileiro que tem muito a ver com o fato de sermos um município do interior do estado, com nossas lendas, causos. Tem muita gente do Faraó e do Guapiaçu que jura que já viu saci...
2. Pintura "Sereia" (centro, pode ser vista das duas pontes e da Rua Nicomedes Arruda) - Na mesma linha do saci, pensei em espalhar seres do folclore em toda a cidade, para nos lembrar que moramos numa cidade do interior. Fiz essa pintura da Sereia na margem do Rio Macacu num lugar bastante inusitado, de difícil acesso. Pintei em um dia chuvoso, e ainda por cima com um monte de canos de esgoto espirrando na minha cabeça ali atrás dos comércios da Rua Rui Barbosa. Visualmente, acho que é das minhas melhores pinturas, gosto muito.
3. "Ciranda Sagrada" (Boca do Mato) - Fiz essa pintura durante um mutirão do projeto "Arte no Poste" (projeto que percorria diversos bairros promovendo pinturas urbanas). A ideia do Arte no Poste era pintar temas que tivessem a ver com cada bairro, para dar destaque a esses temas. Boca do Mato é um bairro fincado no meio da floresta que abriga diversas correntes espiritualistas, entre elas uma igreja católica, uma tenda de umbanda, um terreiro de candomblé e cultos do Daime, e todos coexistem respeitosamente. Tentei expressar essa coexistência na pintura. Lá fiz uma ciranda com figuras como Jesus, Buda, Krishna, um monge, um indígena, Iemanjá. O trabalho fica na pracinha no meio do bairro, perto da primeira instituição de Umbanda do Brasil.
13) Tem algo que não perguntamos que você gostaria de falar? Meu signo. Sou canceriano convicto. E se não fosse, daria um jeito de me tornar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sobre árvores


(originalmente publicado no jornal
Estado em Notícias de 6/agosto)



Sobre árvores




Toda vez que vou ao Jequitibá, em Boca do Mato, volto pra casa diferente, como se uma parte de mim morresse e outra surgisse em seu lugar. Tomo o ônibus na rodoviária, encontro meu lugar, observo as casas e pessoas que passam na janela, o vento nos cabelos, a vida que passa. Sigo na carona até o seu ponto final. Desembarco. Em caminhada, subo a ladeira até a entrada da floresta. Peço licença, dou os primeiros passos e o ambiente ao redor já muda. A mata fica mais densa, ouço sons que não conheço, vejo fileiras de árvores de todos os tipos: grossas, magras, altas, arbustos, cipós. Vez em quando um inseto, outra vez borboleta, um canto de pássaro no alto da copa. Passo a passo, floresta adentro, meu corpo amplifica todos os seus sentidos: os olhos mais atentos para a paisagem incomum, os ouvidos bombardeados por uma orquestra de pequenas maravilhas, o olfato confuso pela confluência de cheiros florais, a pele sensível ao mínimo toque de uma teia de aranha ou uma folha que cai. Alguns minutos à frente, abre-se o clarão encantado que revela o ilustre gigante morador da montanha... o Jequitibá. Peço licença mais uma vez, emocionado pelo privilégio de olhar de tão perto um ser vivo desta importância - certamente muito mais importante que eu, que você que lê este texto, que qualquer ambientalista ou governante - e me aproximo de sua pele encouraçada, cheias de ranhuras construídas pelos séculos e séculos de seiva e história em que ele impera na mata fechada. Humilde em minha insignicância humana, abro meus braços na intenção de abraçá-lo, mas no fim é ele quem me abraça, conforta-me, acolhe-me, me traz ensinamentos ancestrais no silêncio de sua serenidade, na imponência de sua perseverança vegetal. Por um instante mágico, árvore e humano fundem-se em comunhão, abraçam-se mutuamente inundados pelo grande mistério que é estar vivo. Por um momento infinito, nossas consciências se celebram em cumplicidade, compartilham palavras secretas, alimentam-se da mesma luz e bebem da mesma água que encharca o chão. (...) Quando volto ao ponto de ônibus para ir pra minha casa, já sou outro, já não me reconheço mais. O contato com o divino modifica minha estrutura molecular, muda minha percepção sobre o mundo, altera meu olhar. (...) Num outro dia, em outro ponto da cidade, passo próximo a um canteiro de obras e vejo três ou quatro frondosas árvores despedaçadas ao chão, seus corpos mutilados e ainda sangrando, mortas para dar passagem a uma ciclovia que avança. Olho para mim, e penso no quão insignificante sou.




Wellington Lyra é um habitante da Mata Atlântica.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Meu pai (Helinho Lyra) - ensinamentos




DO FACEBOOK:


Meu pai (Helinho Lyra) - ensinamentos

por Wellington Lyra, quarta, 22 de junho de 2011 às 18:39


Meu pai (Helinho Lyra) acabou de me dizer coisas tão lindas sobre a vida, sobre pequenos aprendizados dessa nossa tão frágil existência, que estou até meio atordoado... Sempre fui testemunha da sua linha de raciocínio, de sua impressionante sensibilidade de virginiano, que o fez sacrificar-se em diversas ocasiões para aconchegar os que amava, mas ele sempre arranja modos muito particulares de me surpreender!...

Envolto numa meiguice firme, numa preocupação quase ingênua sobre o bem estar dos outros, porém de uma clareza radiante, volta e meia suas histórias e palavras me fazem repensar completamente o rumo da minha vida...

Obrigado, meu pai, por todo ensinamento que tem me proporcionado, mesmo quando não percebe. Obrigado pelas oportunidades que me dá, dia a dia, de me mirar num exemplo tão engrandecedor.

Sou orgulhoso de ter nascido de você; compartilhado todos os meus anos de vida com este ser luminoso!

Um beijo,
de quem te ama!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A morte de Wellington Lyra ou "Sobre o manifesto poetico de 15 de maio"

Sobre o manifesto poetico de 15 de maio*
ou
*A morte de Wellington Lyra


Ramon Cunha, Denilson Siqueira, desculpem meu atraso!... Fiquei ateh a manhã de domingo pensando no figurino que ia usar... E aih quanto veio a inspiração, já fui tomado pelo enredo do personagem, deixei meu corpo vagar no ritmo dele... Foi uma experiência muito forte; pisar descalço a frieza dos paralelos que servem de tapete para o deslize dos banhos à fantasia... o asfalto seco da pista que faz descer as bandas de fanfarra... os blocos de carnaval... Pisar na água suja, na lama, na quentura do concreto ao meio dia... Uma experiencia tão intensamente coletiva quanto dolorosamente solitária... Um pequeno calvário pagão, de uma figura escusa, estrangeira à sua própria terra, que todo artista deveria vivenciar um dia... Horas a fio em caminhada, ora em meio à multidão de estudantes, ora nas vielas vazias dos bairros... Uma sensação absurdamente real de estar representando a via sacra dos artistas de cidades do interior: inteiramente largado à deriva de suas criações poeticas, malfadado à sorte dos patrocínios tutelares, das políticas menores, da falta de perspectiva de crescimento...

No fim do grande circo que eh este momento de celebração, encontro-me atrás do último veículo oficial da prefeitura, uma retroescavadeira, estacionada à espera de sua entrada triunfante no desfecho fetichista onde nos aguardam os homens do poder... Ônibus, ambulâncias, tratores... e no fim de tudo, o artista - mais uma objeto à serviço da manutenção do status quo do imperio...

Toca a banda, anuncia o locutor, aplaudem os poderosos.
O circo encerra sua odisseia popular, e o artista cambaleia, inerte, absorto, ignorado, engolido.

Não há espaço para artistas nesta cidade.
Há, entretanto, espaço para tecnicos da arte, para trabalhadores da cultura, para funcionários públicos do setor, para amigos da cúpula.

Para artistas, como nós, que como disse o professor Silvio Francisco num email recente, "cheiram mal", o que há eh a indiferença.
Não lhes importa se estamos vivos ou mortos; se estamos vagando pelas ruas ou pulando do alto de viadutos...

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Numa proposta cenica sintetica de uma pequena via sacra, experimento o sangue, o suor, as lágrimas, os açoites, a zombaria, a solidariedade confusa dos passantes... tal qual um cristo generico.

E tal qual um cristo mambembe, considero-me morto para esta cidade, meu corpo sem forças pendurado no alto da cruz. 15 de maio, ao contrário do que disse Vinicius Maia Cardoso ("Dia da Revolução Cultural Macacuana", em um outro post no facebook: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1604865696252&set=a.1271634005668.33163.1674422121&type=1), eh a data de minha morte.

Aos que ficam, levem para sempre a memória de alguem que foi consumido pelas forças sinistras da modernidade.

Ateh.




sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ocupação: SEMANA DO TEATRO

Entrevista no jornal RJ TV (22 de abril - abertura da "4ª Semana"):





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E VISITE O BLOG DA SEMANA! =)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Carta aberta ao secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Cultura, Indústria e Comércio de Cachoeiras de Macacu

Carta aberta ao secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Cultura, Indústria e Comércio de Cachoeiras de Macacu

Na qualidade de ex-presidente e um dos membros fundadores da Associação de Artistas de Cachoeiras de Macacu - AVIVA - torno público minha consternação ao escutar, no último dia 23 de março, na Rádio Desperta FM, uma entrevista com o Ilmo. Sr. secretário Osório Luis Figueiredo, na qual o mesmo se refere à Associação Aviva como uma entidade de suma importância para o município, mas que segundo ele, não estaria cumprindo seu papel de forma satisfatória. Gostaria de me reportar ao senhor secretário afirmando que a Aviva é a mais abrangente e democrática instituição cultural de nossa cidade, congregando artistas, produtores, arte-educadores e gestores de todos os distritos, fomentando a discussão sadia e crítica, num exercício permanente de maturação e construção da noção de "classe artística" entre os trabalhadores da Cultura. Não é função da Aviva formular ou apresentar projetos à prefeitura municipal, conforme insinuado e até questionado em tom de cobrança em seu pronunciamento na rádio. Antes, nossa missão institucional é fazer com que a voz daqueles que vivem verdadeiramente de sua Arte possa ser ouvida sem censura, restrição ou tutelamento patronal. Através de reuniões presenciais mensais, debatemos e construímos alternativas democráticas para os desafios que a gestão cultural enfrenta em seu dia-a-dia, de maneira especial aqueles pelos quais o Brasil passa nos últimos anos, com profundas mudanças na forma de se conduzir seu desenvolvimento. E infelizmente, senhor secretário, cabe a mim tornar público nesta nota, em tempo, que a gestão exercida pelo senhor à frente da pasta possui graves dificuldades de adequação a esses novos tempos, chegando ao ponto de, em pronunciamento público, dizer abertamente que discorda da atuação da nossa única Associação de Artistas, julgando-a precipitadamente inativa, ou dissimulada de seu papel. Eu, e os demais associados da Aviva, embora já o tenhamos feito por cerca de cinco anos seguidos, ainda aguardamos sua presença - ou de algum de seus subordinados - a qualquer uma de nossas reuniões, convocadas publicamente através de publicação em jornais, para que o senhor possa presenciar o nosso verdadeiro papel, e não apenas supô-lo à distância.

Atenciosamente,

Wellington Lyra
Delegado Estadual de Cultura
Presidente da Aviva na gestão 2009-2010














quarta-feira, 2 de março de 2011

O Manifesto Poético Presencial




MANIFESTO POÉTICO PRESENCIAL

Pela criação de uma Secretaria Municipal de Cultura
em Cachoeiras de Macacu - RJ

> Após o carnaval! Centro da cidade! Participação de artistas de Cachoeiras, Friburgo, Rio de Janeiro e outros municípios parceiros...
> Mobilize suas bases, vista suas ferramentas artísticas, convoque sua criatividade!
> Vamos ao combate elegante, divertido, criador e REVOLUCIONÁRIO! =)



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CIRCULAÇÃO DE TEATRO DE RUA - Meu ofício!

Olá, povo!

Estou postando aqui um clipe do Projeto Circulação de Teatro de Rua, realizado pelo grupo de teatro em que trabalho, a Companhia Artística Em Nós. Nesta segunda edição, vamos percorrer os bairros da Boa Vista, Guapiaçu, Papucaia, Castália e Cachoeiras sede. No ano passado, estivemos com o mesmo projeto em Boca do Mato, na Cidade Alta, Faraó de Cima, Campo do Prado, Papucaia, Japuíba e Cachoeiras sede.

Vamos que vamos! =)
Acompanhe nosso roteiro no endereço www.TEATROemnos.blogspot.com






=)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Brinquedos para as crianças da Serra


Galera,

A Companhia Artística Em Nós está propondo uma campanha de Doação de Brinquedos para as crianças atingidas pela tragédia na Serra. Muitas estão órfãs, abrigadas nos alojamentos, e pelo que temos visto na TV são os brinquedos que têm ajudado a distrai-las neste momento.

A Rede Brasileira de Teatro de Rua também está se mobilizando para levar um comboio de artistas de teatro, palhaços, músicos etc para colaborar com o processo terapêutico das crianças, assim que for possível. Estamos em contato com Beto Grillo e Dalmo Latini, palhaços de Friburgo, que têm nos enviado notícias constantemente.

COLABORE COM UM BRINQUEDO - FAÇA SUA DOAÇÃO NOS POSTOS DE COLETA DE SUPRIMENTOS EM CACHOEIRAS DE MACACU!


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Camisas Jesus Genérico*


CONHEÇA AS CAMISAS
"Jesus Genérico"!

APENAS R$25 CADA.
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NO ENDEREÇO


VISTA-SE COM AUTENTICIDADE!
=)

Well
Lyra
"Jesus"

\O/


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Poema O JEQUITIBÁ DE BOCA DO MATO



O JEQUITIBÁ DE BOCA DO MATO


Imponente veia verde no seio da Guanabara, 
ponto magnético na partilha das montanhas, 
anúncio imediato das serras fluminenses...

Abraçada à Mãe Terra por tentáculos centenários, 
esta árvore de porte inimaginável não é árvore. 
Traduziu-se a si mesma de árvore, 
com o intuito de melhor ser entendida.

Mais que árvore, 
este ser encantado, 
encouraçado de uma madeira grossa e bruta, 
cuja copa alcança e toca singelamente o céu... 
é uma entidade.

Uma manifestação encantada, 
viva, múltipla.
Ela é, em si, uma força religiosa.
De uma religião traduzida em madeira, 
seiva, raiz, folhagem.
Cuja doutrina despenca do alto 
em sementes voadoras, 
levando para outras terras 
a essência divina que lhe dá forma.


WELLINGTON LYRA
Dezembro/2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cadê o Conselho de Cultura?






Cadê o Conselho de Cultura???
O secretário recentemente falou num jornal que está tudo praticamente pronto para 2011... pô, gente, só quem participou do processo de construção dessa nova lei nas reuniões na ACECAM e no CICA (ano passado!!! Já tem mais de um ano!) sabe que embromação foi aquilo - com o departamento de cultura pressionando seus funcionários a votarem com eles... Uma vergonha!...

Isso sem contar os 10 anos que a lei de cultura ficou sem ser utilizada pela gestão que está aí à frente até hoje; Desde 1999 já podíamos nos valer da lei, que criou o Fundo, Conselho e Lei de Incentivo Fiscal. Ou seja, essa gestão que está aí NÃO COMPACTUA COM A PARTICIPAÇÃO POPULAR NA GESTÃO CULTURAL. Eles têm pavor de povo; não saberiam domar as rédeas dos artistas opinando na política municipal de cultura, por isso ficam comprando alguns de nós com cargos políticos e cachês miseráveis em seus eventos, para calar nossa boca. Fui vítima disso por muitos anos, assim como companheiros meus que viveram a mesma coisa, e sei muito bem do que estou falando.

Fora essa gestão ultrapassada!
Secretaria Municipal de Cultura JÁ!

Não podemos mais admitir uma "política" (??!) de cultura que só pensa no vetor economicista... Ou alguém duvida que o secretário tenha dado bandeira verde pra formação do Conselho só porque isso vai viabilizar a entrada de mais verbas pro município?? Foi a mesma coisa com o Conselho de Turismo, que nada mais é que um instrumento de validação das propostas da secretaria, para liberação burocrática do dinheiro. Gente, claro que dinheiro é bom e viabiliza muitas coisas, mas estamos falando aqui de participação real nas decisões do governo, de exposição de ideias diferentes, de construção de consensos e prioridades estratégicas.

Eu não concordo com um Concurso de Bandas e Fanfarras que torra R$60.000,00 em um único evento! Porque quando nosso grupos de teatro ou música vão solicitar R$500,00 para viabilizar um espetáculo, isso nos é negado, ou vira moeda de troca política??

Chega disso, gente.
Cachoeiras não merece.
Nossa cidade merece uma Secretaria de Cultura, todos nós sabemos disso!




sábado, 4 de dezembro de 2010

POEMA "Mirando a Morte"

POEMA-RESUMO




"Mirando a Morte"
(ou "Atualizando a Vida em 4 de Dezembro")



Nesses últimos meses,
Uma reflexão contínua
sobre a morte
e seus afazeres
(seus talabartes)
(seus talharins e talheres)
(seus atabaques)
tem me posto
em firme decisão de olhar.

Tenho dito
aos meus,
que viver é um mistério
e que optar pelo impulso
seja um caminho bom.
Tenho levantado a bandeira
da inconsequencia revolucionária,
do pronunciamento direto,
da crítica dita
- muito mais que pensada.

Tenho visto
que muitos dos meus
acreditam nas mesmas coisas,
escrevem sobre as mesmas coisas,
partilham a mesma estranha sensação
de infinitude e incompletude cáustica;
entretanto
entre tanto,
vejo que seu rosto
não sangra quando miram a morte.

Meu rosto tem sangrado
e singrado o manto
de meus mestres
continuamente,
num exercício
de viver a morte,
em seu sentido pleno.
Tenho vivido a morte
de um ego escoltado
pelas mentiras
que nos acomodaram
em ser seres humanos comuns,
com seus empregos comuns,
com suas famílias comuns,
seus fogões,
suas varizes,
seus infartos e esquizofrenias.

Não consigo fazer
que caiba em mim
a mesmice dos dias,
o joguete dos chefes,
a bebida na rua.

Não consigo saber
o que façam de mim
levantando-me ódios,
balançando-me os brios,
caçoando os emails.

Tenho mirado
a morte
e ela exígua de mim
minha parte abstrata.
Tenho, por parte dela,
no abstrato da mira,
imponderado a vida
como um dom precioso,
um som receoso,
um silencioso cio,
um rito sagrado.

Abro os olhos
e vejo no olhar
do espelho
(dos meus)
anseios de casas,
mulheres,
filhos,
carreiras,
espetáculos,
poderes,
partidos.

Tenho mirado a morte
e pouca coisa
me vale
quando me contam
meus últimos anos na terra.
Apenas as essenciais
permanecem.



Wellington Lyra
4 de dezembro - 23h30

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Camisa comemorativa Em Nós 5 anos





Este ano a Companhia Artística Em Nós completa 5 anos.
Foram mais de 200 ações culturais em escolas, praças, quadras, teatros, postos de saúde, espaços culturais, comunidades e nas ruas!...
Em 2010, projetos como a "III Semana do Teatro", a exposição "Julinho Roll 40 anos de Carnaval" e o "I Encontro Estadual de Teatro de Rua" atestaram a nova fase empreendedora do grupo. Além disso, nosso projeto de "Circulação de Teatro de Rua" já levou o espetáculo "Joana e Jaburu" a diversos bairros da cidade, inclusive no interior. E vem aí o novo espetáculo "O Jequitibá de Boca do Mato", com pré-estreia dia 2 de dezembro, no Parque Estadual dos Três Picos.


PARA COMPARTILHAR ESSA ALEGRIA COM VC, ESTAMOS DISPONIBILIZANDO UMA SÉRIE DE CAMISAS QUE RETRATAM AS PRINCIPAIS PRODUÇÕES DO EM NÓS, PARA QUE VC POSSA LEVAR NO PEITO TODO SEU CARINHO PELA TRUPE MAIS SERELEPE DE CACHOEIRAS DE MACACU!...



As camisas custam apenas R$25 e toda a renda inicial será revertida para o custeio da viagem que faremos a Mangaratiba / Paraty nos próximos dias 26, 27 e 28/11, por ocasião da VIII Mostra Rio x São Paulo de Teatro de Rua, para a qual fomos especialmente convidados.



Se vc quer contribuir com mais esta empreitada, faça contato.
Adquira sua camisa e fortaleça o movimento de Teatro de Rua em sua cidade! =)
(21) 8239.7406
(21) 9722.3238
Wellington + Josiane
Companhia Artistica Em Nós

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dia da Cultura! CACHOEIRAS DE MACACU




Hoje é o Dia Nacional da Cultura!
Assim como em todo território brasileiro, também aqui em Cachoeiras de Macacu!

Vamos ver o que temos para comemorar?

Pensemos juntos: o que devem estar fazendo os jovens e as crianças a esta hora (fim de tarde) nos bairros de Maraporã, São José da Boa Morte e Guapiaçu?
Será que rola uma sessão de cineclube para as mães de família que moram lá dentro no Areal? Ou quem sabe um showzinho de voz e violão nos confins de Coco Duro, ou mesmo ali na entrada de AgroBrasil??...

Será que alguém lembrou de inserir a bucólica Serra Queimada no roteiro de apresentações daquele grupo teatral famoso que passou por nossa cidade? Será que tem aula de artesanato ou pintura para os talentos escondidos do Faraó?
Um recital de poesias no Estreito...? Um concurso de contos no Valério...?

Pra onde será que foram os grandes cantadores, foliões e escultores de madeira do nosso interior?... Pra onde foram suas obras?... Será que no mato não há cultura?? Será que na roça ninguém se expressa???

Areal, Subaio, Valério, Castália, Ribeira, Taboado, Marubaí, Funchal, Guararapes, Anil, Santo Amaro, Soarinho, Quizanga, Agro-Brasil...
Da serra à baixada... seguindo a trilha do Rio Macacu, nossos dias passam inertes e sem brilho devido à falta de uma política cultural de verdade que entenda a CULTURA como necessidade básica do cidadão brasileiro - tanto quanto comida e saúde.

NO DIA DA CULTURA, MEU PROTESTO CONTRA UM GOVERNO QUE PÕE NUMA MESMA BALANÇA: ECONOMIA, INDÚSTRIA, COMÉRCIO, TURISMO E CULTURA, SUFOCANDO AS POSSIBILIDADES CULTURAIS EM NOME DE UM "PROGRESSO" EQUIVOCADO.
NO DIA DA CULTURA, MEU PROTESTO AINDA MAIOR CONTRA UM SECRETÁRIO QUE, OBSERVANDO ESSA DISPARIDADE DEBAIXO DE SEU NARIZ, INSISTE EM IMPEDIR QUE OS ARTISTAS E GESTORES DA CIDADE POSSAM CONTRIBUIR COM SUAS IDEIAS - IDEIAS DE QUEM VIVE NA PELE A INFELICIDADE QUE É CHEGAR AO NOSSO DIA, SEM NADA A COMEMORAR...

Todos nós - artistas, público, moradores dos bairros mais afastados - sofremos um BOICOTE da Secretaria de Cultura quanto à reestruturação do Conselho de Políticas Culturais, único instrumento capaz de iniciar uma mudança concreta na gestão de Cultura em nosso município. Há 11 anos escutamos o mesmo discurso de gente que quer cavalgar sobre nós unicamente para satisfazer seus ambiciosos projetos pessoais de ascensão e permanência no Poder. Há 11 anos assistimos à degradação do movimento artístico cachoeirense, que vê um arte-educador respeitável e amado por todos fazendo o jogo sujo de uma pessoa que nada sabe de Cultura, mas que infelizmente exerce tamanha influência opressora que não resta ao assessor técnico nada mais que abaixar a cabeça e figurar como marionete neste jogo... Todos temos vergonha desse papel. Alguns mais, outros menos. Alguns porque vivem da arte, porque dela dependem para viver e para sobreviver. Outros nem ligam mais, já se acostumaram - estão encarcerados em suas próprias conquistas pessoais e de nada vale o embate por melhorias para todos. Não lhes parece agradável o conflito político, a crítica feroz, o embate direto - preferem sentar-se confortavelmente em seus sofás para ver a novela das oito, ostentando num certificado ou num porta-retratos seu portentoso papel de "ARTISTA"...

Artista?

Artistas que não se incomodam com o estado precário das condições de seu próprio trabalho?
Artistas que esquecem das necessidades dos capoeiristas, por exemplo, tão logo seu pincel e sua tinta lhes forem dados?
Artistas que não reconhecem em seus pares de profissão uma única classe que luta pelos mesmos ideais humanistas?
Artistas que estão plenamente satisfeitos com a vida??...
...existe essa categoria de "artista"?



Citando O Rappa, despeço-me desejando a todos os ARTISTAS DE VERDADE um Dia Nacional da Cultura revigorador:
"A minha alma tá armada e apontada para cara do sossego;
Pois paz sem voz, não é paz...
...É medo."

Wellington Lyra
ARTISTA
05/11/2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Atividade cultural na Cidade Alta

Nosso segundo bairro, a Cidade Alta mais uma vez nos recebeu de braços abertos para uma parceria com o Posto de Saúde, com presença dos nossos alunos do Programa Ocupando a Hora Vaga (onde há 5 anos atuamos voluntariamente com oficinas de teatro e cinema) e diversas outras famílias da comunidade.
(outubro/2010)